segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

O casamento de padres sempre foi proibido. FALSO!

Seguindo o exemplo de Jesus Cristo e de seus discípulos, os primeiros cristãos permaneceram celibatários. A Igreja impôs a regra a seus sacerdotes desde o princípio, certo? Errado!


Jesus Cristo jamais proferiu algo contrário ao casamento de religiosos, e alguns de seus apóstolos tiveram esposas e filhos. O judaísmo, crença da qual se originou o cristianismo, não impunha o celibato aos rabinos. Logo, a Igreja Católica também passou um longo tempo considerando aceitável a ordenação de homens casados.

Uma das primeiras tentativas de imposição do celibato aos padres fracassou no Concílio de Niceia, no ano 325. A reunião só conseguiu proibir o casamento depois da ordenação. Ao que tudo indica, porém, nem mesmo essa cláusula foi respeitada rigorosamente, já que vários clérigos do período viviam com suas companheiras e resistiram à nova regra. No século IV, por exemplo, bispos como Gregório de Nazianzo e Gregório de Nissa eram casados, e 39 dos papas tiveram esposas e filhos, que chegaram, em alguns casos, a suceder os pais.

Essa situação começou a mudar com a ascensão de vários monges a cargos de importância na hierarquia eclesiástica. A multiplicação das decisões papais, concílios e sínodos de bispos em defesa da obrigatoriedade do celibato mostra que a força política desse grupo, praticante da renúncia aos prazeres mundanos, alterou bastante a estrutura de poder da Igreja.

A disputa entre opositores e defensores do celibato se acirrou no século X, quando o Império Carolíngio sucumbiu e a Igreja passou a enfrentar dificuldades para impor suas normas aos clérigos. O afastamento das questões espirituais, a prática da simonia (venda de bens sagrados e de benefícios eclesiásticos) e os casos de nicolaísmo (incontinência dos padres que se casam ou vivem em concubinato) se tornaram mais frequentes. Uma reforma era necessária.

Embora iniciada por Leão IX, foi o papa Gregório VII que emprestou seu nome à chamada “reforma gregoriana”. Esse movimento intensificou a crítica à incontinência dos religiosos e passou a valorizar um clero inteiramente voltado à sua tarefa, sem relações familiares que pudessem afastá-lo dos interesses espirituais ou levá-lo a usurpar bens da Igreja para benefício de seus parentes.

Em vários países, como Alemanha, França, Inglaterra e Espanha, essas decisões foram mal recebidas pelos clérigos locais, e o concubinato dos padres persistiu. No entanto, a população aderia cada vez mais às decisões papais e, ansiosa pela renovação de um clero corrupto e permissivo, rejeitava os religiosos que continuavam a ter uma amante ou a praticar atos condenáveis.

Assim, o desejo de um enquadramento melhor dos padres e de uma definição mais restrita de sua disciplina continuou a ganhar força. Os cânones dos concílios de Latrão II (1139), Latrão III (1179) e, finalmente, Latrão IV (1215) reiteraram a proibição ao concubinato dos padres e à ordenação de homens casados. Essas determinações têm sido rigorosamente aplicadas pela Igreja Católica até os dias atuais, a despeito do que fizeram os cristãos ortodoxos: para eles, a ordenação de homens casados continua sendo, a exemplo do que ocorria nos primeiros anos do cristianismo, uma prática perfeitamente aceitável.

por Olivier Tosseri

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Museu exibe escultura artística de mamute com 35 mil anos de idade...

O Museu de Neandertal de Mettmann, cidade a oeste da Alemanha, abriu uma mostra temática sobre mamutes nesta sexta-feira.

Entre os objetos expostos, há uma escultura artística do animal feita em marfim, com data aproximada de 35 mil anos, considerada uma das mais antigas do mundo.

O artefato foi encontrado a sudoeste da Alemanha.


Funcionária do Museu de Neandertal, na Alemanha, exibe peça de marfim que reproduz um mamute.

sábado, 30 de outubro de 2010

Artista norte-americano vira celebridade por esculpir impressionantes imagens em abóboras...

Este não é um hábito tão comum aqui no Brasil, mas o resultado é fantástico. São necessários vários meses para a fruta crescer e apenas poucas horas para o artista Ray Villafañe esculpir uma imagem.

O designer e ex-professor de artes usa colheres e um bisturi para esculpir as abóboras para a festa de Halloween. O negócio deu tão certo, que Villafañe tornou-se uma pequena celebridade nos EUA, aparecendo em vários programas de TV.

“Esculpir sempre foi uma paixão. Pensei por que não tentar esculpir a abóbora como se fosse um pedaço de barro? Saiu tudo bem, mas o resultado mais importante foi que as crianças na escola simplesmente adoraram”, disse ele ao Daily Mail.






sábado, 16 de outubro de 2010

Patrimônio submerso no litoral espanhol...


Governo de Madri lança programa para vasculhar as costas do país em busca de embarcações e tesouros naufragados entre os séculos XVI e XIX


A Marinha Espanhola lançou no último dia 08 de setembro um programa para proteger o patrimônio histórico que está submerso nas costas do país. Equipada com navios, submarinos, dois caça-minas e cerca de 100 profissionais, a instituição vai passar dois meses vasculhando o litoral da cidade de Cádiz, no sul da península Ibérica, em busca de vestígios de naufrágios que ocorreram nos séculos passados.

Nesse primeiro mês de atividades, a Marinha já identificou uma centena de possíveis sítios na região, o que totalizaria, segundo informações publicadas pelo jornal inglês The Guardian, algo entre 500 e 800 embarcações afundadas. O chamado Golfo de Cádiz é uma das áreas que mais abriga tesouros submersos, já que a região recebia boa parte dos navios espanhóis que durante os séculos XVI, XVII e XVIII traziam ouro e prata das colônias americanas.

Por enquanto, nenhum dado foi confirmado pelo governo espanhol, que encaminhou os vestígios encontrados para análises laboratoriais e de arqueólogos. Comprovada a sua originalidade, esses materiais devem ser encaminhados para instituições como o Museu Naval de Madri e o Museu Nacional de Arqueologia Subaquática.

Segundo informações do mesmo periódico, esse programa da Marinha seria uma resposta do governo espanhol a um incidente ocorrido em 2007 envolvendo o navio Nossa Senhora das Mercedes. A embarcação, afundada pelos ingleses em 1804 no sudoeste de Portugal, foi encontrada pela empresa transnacional Odyssey Marine Exploration, que retirou do local cerca de 500 milhões de dólares em moedas e artefatos.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Cosmos, de Carl Sagan completa 30 anos...


“Nós somos uma forma do Cosmos conhecer a si mesmo”.

Quando a Humanidade deu seu grande salto na Lua em 1969, em torno de meio bilhão de pessoas assistiram empolgadas em pequenas TVs em preto e branco a dois astronautas pisarem em outro mundo. O evento marcou toda uma geração e continua sendo um dos maiores feitos de nossa espécie, mas apenas três anos depois, quando os astronautas da Apollo 17 deram o último adeus ao nosso satélite natural, o interesse popular pela exploração espacial já não era tão grande. Faltava algo mais básico para continuar a alimentar o grande interesse público além da novidade de pisar na Lua.

Foi neste contexto que um cientista espacial que continuava a explorar outros mundos com sondas robóticas renovaria a fascinação de centenas de milhões. Através da mesma telinha, agora a cores e com efeitos especiais e um roteiro quase poético, ele relembraria e para muitos apresentaria pela primeira vez o que realmente significava aquela pegada no solo lunar – e tanto mais além desta façanha.


Desde as verdadeiras dimensões do Universo em que vivemos até a magnífica aventura do conhecimento que levou um pequeno punhado de macacos pelados a se estender por todo um planeta e, com o poder fantástico do método científico, viajar ainda mais longe. À vastidão em que ainda não tocamos, com uma “nave da imaginação” modelada à imagem de uma semente de dente-de-leão ao vento, ele nos levaria cruzando a galáxia por anos-luz.

Falamos, é claro, da série televisiva “Cosmos: Uma Viagem Pessoal” do astrônomo Carl Edward Sagan, cujo primeiro episódio foi ao ar pela TV americana em 28 de setembro de 1980. Toda uma geração, incluindo este que escreve estas linhas, já nasceu e cresceu não sob a sombra, mas sob a luz e inspiração de uma obra ao mesmo tempo popular e imensamente inteligente, sóbria e profundamente atraente.


Quando finalmente retornarmos à Lua depois de um longo afastamento, ou quando visitarmos Marte e os infinitos mundos que nos aguardam pelo espaço, talvez nosso interesse e excitação como um todo dure um tanto mais porque nos lembraremos de sua grande e bela visão.


Três décadas depois, é surpreendente como muito da visão de Sagan do Cosmos seria largamente validada, transformando especulação otimista em fato científico. Um destes elementos mais empolgantes envolve o primeiro planeta fora do sistema solar, que só seria confirmado como descoberta científica quase uma década depois que Sagan despertasse milhões às tantalizantes possibilidades da multiplicidade de mundos.

Pois desde o primeiro exoplaneta em 1988, quase 500 exoplanetas já foram confirmados. Os nove, ou melhor, oito planetas de nosso sistema solar são hoje poucos em comparação com as centenas de outros corpos orbitando estrelas longínquas. E a viagem da imaginação aos fatos não parou aí.

Os dados iniciais de um novo satélite, o Kepler, como parte continuada da exploração do Cosmos, podem mais do que dobrar este número em poucos meses de observação, levando à sugestão de que planetas sejam não só quase onipresentes pela Galáxia, como que até 100 milhões de planetas como a Terra populem a Via Láctea. Por sua vez, apenas uma das centenas de bilhões de galáxias pelo Universo.


Na mesma semana de aniversário de Cosmos, o mais forte candidato a exoplaneta potencialmente habitável, chamado Gliese 581 g, foi anunciado com grande animação. A beleza disto é que sendo esta a ciência, a descoberta pode ou não ser confirmada, mas sendo esta a ciência e particularmente uma área que assistiu a enormes avanços nas últimas décadas, é uma questão de tempo até que dezenas, centenas, milhares e quem sabe mesmo milhões de planetas como a Terra sejam comprovados em nossa galáxia.

São números que mesmo o homem dos grandes números, com quem o apresentador Johnny Carson brincava sobre os “bilhões e bilhões”, tomaria como uma estimativa muito otimista. O amanhã em que vivemos hoje trata de confirmá-la como fato. Imaginação e ceticismo, combinados para descobrir que sonhos podem ser realidade.


Em meio à viagem pelas estrelas, e entre os milhões de planetas como a Terra que podem existir, Sagan também se preocupou muito em abordar as questões muito humanas que enfrentávamos em nosso único e pálido ponto azul. No início da década de 1980, a Guerra Fria começava a se reaquecer enquanto EUA e União Soviética acumulavam dezenas de milhares de ogivas nucleares, um número grande que o cientista espacial se dedicou obstinadamente a diminuir. Poucos anos depois de Cosmos, Carl Sagan seria um dos descobridores do Inverno Nuclear, destacando ainda mais o perigo de extinção que enfrentávamos como espécie.


Igualmente superando as mais otimistas expectativas de Carl Edward, alguma lucidez tomou conta de líderes de ambos os lados, que passaram a diminuir seu arsenal, até que em 1989 a União Soviética implodiu sem o disparo de nenhuma bomba nuclear. Se superamos a maior urgência deste desafio, por outro lado, perigos sobre os quais Sagan também alertou e que há trinta anos pareciam menores hoje se tornam prioridade, como as mudanças climáticas e todo o impacto que o nosso próprio sucesso descomunal em habitar todos os continentes e contar com um número cada vez maior de confortos exerce sobre o pálido ponto que pode em breve tomar uma cor diferente e menos hospitaleira que o azul.


Vivemos em um fabuloso amanhã, com novos conhecimentos e novos desafios de uma geração somando-se à enorme jornada de milhares de ancestrais explorada em Cosmos. Lamentavelmente, vivemos também sem a companhia de Sagan, que nos deixou cedo apenas 16 anos depois de comover um mundo com a beleza e mesmo a espiritualidade que pode ser encontrada na busca pelo conhecimento através da ciência.

Se Sagan teve uma visão por vezes profética de descobertas futuras, também podemos profetizar com grande segurança que é mera questão de tempo até que um membro da geração sob a luz de Cosmos ganhe um prêmio Nobel. E ele – ou ela – será apenas o primeiro de muitos, enquanto Carl Sagan deve ter o mérito de ter inspirado diretamente mais do que qualquer outra pessoa um número gigantesco de jovens a seguir uma carreira científica e ajudar o Cosmos a conhecer a si mesmo.

O legado de Sagan vive como uma porção particularmente brilhante de conhecimento, e como tal só deve se multiplicar enquanto novas mentes continuarem sendo inspiradas a buscar saber mais sobre “tudo que existe, tudo que existiu e tudo que existirá”.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Cristóvão Colombo descobriu a América. FALSO !

Ele foi o primeiro europeu a chegar ao Novo Mundo e revelou aos homens de seu tempo a existência de um continente até então desconhecido. Certo? Errado!




Oficialmente, o título de “descobridor da América” pertence ao navegante genovês Cristóvão Colombo, mas ele não foi o primeiro estrangeiro a chegar ao chamado Novo Mundo. Além disso, o próprio Colombo nunca se deu conta de que a terra que encontrou era um continente até então desconhecido.

A arqueologia já revelou vestígios da passagem dos vikings pelo continente por volta do ano 1000. Leif Ericson, explorador que viveu na região da Islândia, chegou às margens do atual estado de Maine, no norte dos Estados Unidos, no ano 1003. Em 1010 foi a vez de outro aventureiro nórdico, Bjarn Karlsefni, aportar nos arredores de Long Island, na região de Nova York. Além disso, alguns pesquisadores defendem que um almirante chinês chamado Zeng He teria cruzado o Pacífico e desembarcado, em 1421, no que hoje é a costa leste dos Estados Unidos.

Polêmicas à parte, Cristóvão Colombo jamais se deu conta de que havia descoberto um novo continente. A leitura de suas anotações de bordo ou de suas cartas deixa claro que ele acreditou até a morte que tinha chegado à China ou ao Japão, ou seja, às “Índias”. É o que o navegador escreveu, por exemplo, em uma carta de março de 1493.

Mesmo nos momentos em que se apresenta como um “descobridor”, Colombo se refere aos arredores de um continente que o célebre Marco Polo – do qual foi leitor assíduo – já havia descrito. Em outubro de 1492, depois de seu primeiro encontro com nativos americanos, o explorador fez a seguinte anotação em seu diário de bordo: “Resolvi descer à terra firme e ir à cidade de Guisay entregar as cartas de Vossas Altezas ao Grande Khan”. Guisay é uma cidade real chinesa que Marco Polo visitara. Nesse mesmo documento, Colombo escreveu que, segundo o que os índios haviam informado, ele estava a caminho do Japão. Os nativos tinham apontado, na verdade, para Cuba.

Suas certezas foram parcialmente abaladas nas viagens seguintes, mas o navegador nunca chegou a pensar que aportara em um novo continente. Sua quarta viagem o teria levado, segundo escreveu, à província de “Mago”, “fronteiriça à de Catayo”, ambas na China.

Apesar disso, Colombo revestiu seus relatos com um tom profético. “Estou convencido de que se trata do paraíso terrestre”, disse a respeito da foz do rio Orinoco, no território das atuais Colômbia e Venezuela. Quando voltou à Europa, ele chegou a redigir um “livro de profecias”, no qual juntou citações bíblicas a textos de cosmografia e de profetas medievais numa tentativa de, aparentemente, relacionar o Novo Mundo aos reinos míticos de Társis e Ofir, citados no Antigo Testamento. A obra não chegou a ser terminada.

Somente nos últimos anos de sua vida o genovês considerou a possibilidade de ter descoberto terras realmente virgens. Mas foi necessário certo tempo para que a existência de um novo continente começasse a ser aceita pelos europeus. Américo Vespúcio foi um dos primeiros a apresentar um mapa com quatro continentes. Mais tarde, em 1507, a nova terra seria batizada em homenagem ao explorador italiano. Um ano depois da morte de Colombo, que passou a vida sem entender bem o que havia encontrado.

sábado, 25 de setembro de 2010

Papel + criatividade...






É sensacional ver pessoas talentosas em plena atividade. As fotos que ilustram este post provam isso. A maioria dos edifícios e estruturas apresentadas aqui são feitas em uma única folha de papel, dobrada e cortada milimetricamente para criar belas esculturas.

O que torna os trabalhos fantásticos, além da estética, é o esforço e imensa quantidade de paciência que cada artista deposita.






A divisão do Mar Vermelho, pode realmente ter acontecido...





Um dos episódios mais dramáticos da Bíblia, a divisão do Mar Vermelho, pode realmente ter acontecido. É o que novas pesquisas científicas mostram.

Entretanto, o evento descrito no Livro de Êxodo foi, provavelmente, motivado por condições meteorológicas e não por uma intervenção divina.
Um estudo de modelagem sugere que um vento forte poderia ter dividido as águas tal como descrito na Bíblia, intrigando os estudiosos e encantando os filmes de Hollywood. A localização do provável milagre também não teria sido no Mar Vermelho e sim na região do Delta de Nilo.

No relato do Êxodo, Moisés e os israelenses estavam presos entre os carros de Faraó e uma massa de água, identificada como o Mar Vermelho. Graças a uma intervenção divina, um forte vento oriental acabou separando as águas para deixar um trecho de terra seca, com paredes de água em ambos os lados. Por ali, os guiados por Moisés conseguiram fugir do exército de Faraó e os soldados, que vinham logo atrás, acabaram sendo afogados.

Segundo uma matéria do Daily Mail, um grupo de cientistas norte-americanos estudaram mapas antigos da região do Delta do Nilo, onde localizaram o provável local do evento. Análises de registros arqueológicos, medições por satélite e mapas permitiram aos pesquisadores estimar o fluxo de água e profundidade no local há 3 mil anos.

Um modelo digital do oceano foi então utilizado para simular o impacto de um vento forte nas águas. Os cientistas descobriram que um vento leste teria impulsionado as águas.

Por um período de quatro horas, as águas realmente teriam sido separadas, com obstáculos de água em ambos os lados e criando uma passagem de 3, 2 km de comprimento e 5 km de largura. Assim que os ventos diminuíram, as águas voltaram ao fluxo normal.

Carl Drews, do Centro Nacional para Pesquisas Atmosféricas, em Boulder, Colorado, declarou: “A separação das águas pode ser compreendida através da dinâmica de fluidos. O vento moveu a água de uma forma que, em conformidade com as leis da física, criou uma passagem segura de água em dois lados e, em seguida, abruptamente permitiu que a água corresse de volta”.

Ele ainda complementou: “As pessoas sempre ficaram fascinadas por esta história do Êxodo, querendo saber se tratava-se de fatos históricos. O que este estudo mostra é que a descrição da divisão das águas na verdade tem uma base em leis físicas”.


Um conjunto de 14 simulações de computador mostrou que a terra seca também pode ter sido exposta em outros dois locais próximos, durante a tempestade de vento.

domingo, 8 de agosto de 2010

300 anos no fundo do mar...




O Vasa, da Suécia, foi o maior e mais poderoso navio de sua época. Mas transformou-se num fiasco ao afundar assim que foi lançado à água. Resgatado e preservado num museu ultramoderno, em Estocolmo, ele trouxe à tona um pedaço intacto do século XVII.





Estocolmo, verão de 1628. No ensolarado dia 10 de agosto, uma multidão alegre reuniu-se para assistir o mais novo galeão da armada real, o Vasa, ser lançado ao mar. Era um dos maiores navios do seu tempo: tinha 64 canhões, dez velas e três mastros (o maior, de 50 metros). Quando a brisa enfunou as velas, milhares de pessoas na praia saudaram o galeão avançando na baia.

Súbito, os gritos de alegria viraram murmúrio de horror. Uma lufada de vento fez o Vasa adernar à esquerda. O navio ainda conseguiu endireitar-se, mas apenas para tombar de novo, agora com água entrando pelos buracos dos canhões no casco. Majestosamente, o Vasa afundou com velas, bandeiras e bronzes, levando 50 homens e mulheres. Percorreu 1 300 metros na sua única viagem.

Foi o maior fiasco da história naval sueca. Os mestres do estaleiro, o capitão e o piloto foram presos tão logo salvos da água. Mas um inquérito aberto em seguida foi suspenso sem apontar responsabilidades.

Em 1956, o caçador de tesouros Anders Franzén realizou o impensável. descobriu o Vasa e, com a ajuda do governo sueco, tirou-o do fundo da baia e trouxe-o intacto para a superfície. O navio e os 25 mil objetos achados nele, primorosamente restaurados, podem ser vistos, hoje, no museu mais visitado da Suécia o Museu do Vasa.

O Vasa foi encomendado pelo rei Gustav Adolf II para impor seu poder no Báltico. Uma armada poderosa, raciocinou o rei, protegeria as linhas de suprimento para a guerra então em curso contra os poloneses, e permitiria bloquear portos poloneses importantes, como Danzig (hoje Gdansk). O Vasa era instrumento e expressão de planos grandiosos. E foi o navio mais caro, maior e mais poderoso da sua época.

Mil carvalhos foram derrubados para a construção do casco. O barco todo foi luxuosamente adornado por mais de 700 estátuas barrocas representando leões imperiais, profetas do Velho Testamento, imperadores romanos, heróis da mitologia grega, sereias, anjos e demônios. Ao contrário do que ocorre na arquitetura moderna, no Vasa a função foi submetida à forma para promover a imagem gloriosa de Gustav Adolf II. Todos os que vissem o navio deveriam impressionar-se com o esplendor e o poder da monarquia sueca.

Mesmo assim, durante os três anos de construção, a escalada da guerra com a Polônia e a proximidade de uma guerra com a Alemanha induziu à revisão dos planos. O navio já tinha forma quando Gustav Adolf decidiu aumentá-lo às pressas. Não foi fácil, já que os mestres de obras da época não desenhavam a estrutura das naus e não dispunham de meios para calcular sua estabilidade. Ensaio e erro, talento e experiência eram a base da indústria. Além disso, o mestre de obras holandês, Henrik Hybertsson, morrera um ano antes do Vasa ser concluído e a responsabilidade pela obra foi entregue à viúva e a um assistente e um irmão de Hybertsson.

O rei decidiu adicionar um segundo andar ao Vasa para dobrar seu poder de fogo de 32 para 64 canhões que representavam um quarto do poder de fogo de toda a frota sueca. Com isso, o espaço destinado ao lastro ficou reduzido, limitado a comportar 121 toneladas de pedras. Era menos da metade do que mandavam os manuais.

A ambição de Gustav Adolf, por-tanto, selou o desastre do Vasa. E o inquérito de 1628 ficou sem conclu-são por motivos óbvios. Mas a culpa não foi só do rei. O piloto Joran Mattson, revelou, no inquérito, que o homem mais influente da Marinha, o Vice-Almirante Klas Fleming, e o comandante do Vasa, capitão Sofring Hansson, acompanharam, pessoalmente, os testes de estabilidade.

Nesses testes, trinta homens corriam diversas vezes pelo convés da popa, para ver se ele se desequilibrava. Mas logo tiveram de ser interrompidos, pois na terceira volta o navio adernou perigosamente. Ou seja, estava claro que alguma coisa não ia bem com o Vasa. Mas as autoridades silenciaram e não tomaram providência.

Três dias após o naufrágio, o Conselho do Reino autorizou o resgate dos canhões do Vasa. O Vice-Almirante Fleming, o mesmo que silenciara sobre os testes de estabilidade, conseguiu recuperar vários. Muitos tentaram resgatar objetos do Vasa tantos que, em 1961, 40 âncoras, de diferentes séculos foram encontradas presas no casco. O mais bem sucedido foi o sueco Albreckt von Treileben que, em 1664, desceu até o fundo usando um sino submarino. O princípio era o mesmo de um copo emborcado na água: sempre fica uma camada estreita de ar na parte superior do copo. No sino, isso permite que o mergulhador respire. Treileben resgatou 50 dos 64 canhões.

O Vasa, então, foi abandonado e sua localização, esquecida. Em 1950, o engenheiro naval, caçador de tesouros e estudioso de arquivos Anders Franzén decidiu procurá-lo. Em experiências anteriores, Franzén descobrira que as águas pouco salgadas do Báltico gozam de um privilégio: são inós-pitas ao verme Teredo navalis, que destrói a madeira dos navios. Por isso, o Vasa deveria estar lá, inteiro, no fundo. Franzén achou-o em 1956, após cinco anos de busca.

Imediatamente, lançou-se uma campanha nacional para resgatar o navio.Salvem o Vasa era o seu mote. Não faltaram palpites. Um pesquisador propôs congelar o Vasa em um imenso bloco de gelo. Dessa maneira, ele deveria flutuar. Outro afirmou que o mesmo efeito poderia ser conseguido se o navio fosse abarrotado de bolas de ping-pong.

A estratégia adequada foi definida com a ajuda da Marinha Real e de empresas de navegação e resgate. Mergulhadores operando canhões de água cavariam túneis por baixo do casco, enfiando neles cabos de aço para erguer o navio. Em agosto de 1959, após 300 anos, o Vasa soltou-se do fundo.

Dezoito vezes a operação foi repetida, deslocando-se o Vasa gradualmente para águas mais rasas. Antes da última e definitiva suspensão, o casco teve de ser restaurado para poder flutuar. Os mergulhadores ainda levaram dois anos para tapar milhares de buracos abertos por pregos desintegrados pela ferrugem. A pôpa quebrada foi reconstruída e as 64 aberturas para os canhões, no casco, foram substituídas por escotilhas à prova d'água. No dia 24 de abril de 1961, as televisões do mundo todo e milhares de pessoas assistiram o Vasa voltar gloriosamente à superfície trazendo consigo um pedaço intacto do século XVII.

No século XVII, a Suécia era um país pobre, mas uma potência em expansão. Em 1621, o rei Gustav Adolf declarou guerra à Polônia. A Lituânia e a Prússia, sob domínio polonês, foram palcos da guerra. O adversário foi batido em 1629 um ano após a tragédia do Va--sa.Em 1630, Gustav Adolf sentiu-se forte para começar outra guerra, ao lado dos príncipes protestantes contra os católicos liderados pelo imperador da Alemanha a Guerra dos Trinta Anos (1618-1648). Em junho de 1630, a bordo de 37 navios, os suecos invadiram a Alemanha com 15 mil homens.

Como o Vasa havia sido construído para participar dessas lutas, os objetos encontrados nele revelam muita coisa sobre o mundo no século XVII. Apesar da toda a sua grandeza, a vida dos marinheiros era dura. Um em cada dez suecos era recrutado pela Marinha. Quando a armada voltou da Polônia, em 1629, os marinheiros tiveram de ficar em Estocolmo, proibidos de visitar suas cidades. Temia-se que fugissem. O salário era pequeno e parte dele era usada para pagar roupas e comida.

Os homens usavam jaqueta curta, com uma camisa de linho grosso por baixo, calções até o joelho e casacos de lã. Meias e sapatos de couro macio, ou botas. As roupas tinham que durar bastante porque não havia outras. Por isso, serzir, costurar e remendar eram atividades comuns a bordo. Agulhas, facas para cortar pano e linhas de costura foram achadas em profusão no Vasa.

O marinheiro que não estivesse nas velas ou cuidando da âncora ficava junto aos canhões. Ali, fazia as refeições, usando pratos e colheres de madeira, dormia e lutava, durante as batalhas.

A cozinha ficava no fundo do navio e servia uma dieta básica de mingau de cevada, cereais cozidos com feijão e ervilha seca, além de carne ou porco salgado, peixe seco e pão. Os cozidos eram feitos em um único caldeirão de ferro, sobre o fogo de uma lareira de tijolos. Não havia chaminé. A fumaça enchia os andares que a tripulação ocupava.

Higiene não existia. O risco de morrer em epidemias era maior do que o de morrer em batalha. Escorbuto, disenteria, malária e difeteria eram comuns. Em 1628, dois terços dos marinheiros de uma esquadra enviada à Polônia morreram. O médico de bordo era também o barbeiro e os principais tratamentos eram cataplasmas, ervas medicinais ou sangramentos (para tentar expelir do corpo a causa do mal). Amputações eram feitas sem anestesia. O regulamento mandava dar dois copos de cerveja para fortificar aos marinheiros jovens, antes das batalhas.

As penalidades por infrações eram cruéis. Uma das mais temidas era passar o infrator por baixo da quilha, amarrado pelo pé, uma, duas ou três vezes, de acordo com a falta. Se não morresse afogado, ele dificilmente sobrevivia aos ferimentos e arranhões sofridos no casco do navio. A navegação também podia ser muito perigosa: na década de 1620, a Suécia perdeu 15 navios de guerra, mas só dois em batalha. Treze afundaram em consequência de terem saído da rota devido a erros de navegação.

Quando o Vasa subiu à superfície, antes de começar a escavar na lama no fundo do casco, os arqueólogos vacinaram-se contra tétano, tifo e icterícia. Mais de 14 mil fragmentos de peças foram recompostos. Mas o maior problema foi preservar a madeira fora da água após 300 anos de imersão. A madeira molhada se contrai e racha quando exposta novamente ao ar quente e seco. O Vasa quebraria inteiramente se não fosse cuidadosamente tratado. No início, ele foi umedecido por sprays. Ao mesmo tempo, o desafio de remover a água de 1 100 toneladas de madeira era su-perado por injeções de glicose de polietileno (PEG). Essa substância penetra na madeira e expulsa a água.

O tratamento durou 18 meses pa-ra o carvalho e um ano para as ma-dei-ras macias. Durante 17 anos, o navio foi impregnado por dentro e por fo-ra até saturação. Em 1979, finalmente, o casco foi secado. Mas o navio con-tinua frágil. No museu, o ar é mantido com 60% de umidade e a temperatura em 20 graus. A luz tem que ser fraca. Toda a delicadeza é pouca para que um pedaço do século XVII chegue à eternidade.

Por Ricardo Arnt

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

A Marselhesa não nasceu em Marselha...

O oficial Rouget de Lisle compõe uma mera canção de guerra que se tornaria símbolo da Revolução Francesa

Em julho de 1792, soldados vindos dessa cidade do sul da França entraram em Paris entoando a canção que se tornaria o hino nacional do país. Mas a música foi composta em Estrasburgo


A Marselhesa ou Marseillaise, no original, hino nacional da França desde 1795, foi muito popularizada e difundida pelos soldados federados marselheses que entraram em Paris em julho de 1792. Mas sua história certamente não começou em Marselha.

Alguns meses antes, em abril de 1792, Joseph Rouget de Lisle, oficial do exército francês e músico autodidata, compôs uma canção intitulada Canto de guerra para os batalhões baseados na cidade de Estrasburgo. A peça era uma homenagem à fama liberal e patriótica da cidade, na qual Rouget de Lisle e seus comandados estavam de prontidão, inflamados pela notícia da declaração de guerra feita pelo imperador da Áustria. O tema rapidamente se espalhou e versos como “Aux armes citoyens, étendard de guerre est déployé...” (“às armas, cidadãos, o estandarte de guerra está desfraldado...”) passaram a ser entoados por todos.

Foi nessa atmosfera que Philippe-Frédéric de Dietrich, prefeito de Estrasburgo, solicitou ao oficial francês que apresentasse seu canto patriótico no dia 25 de abril do mesmo ano. A canção foi retrabalhada e editada pelo compositor Gosece e pela esposa de Dietrich, sendo tocada quatro dias depois diante de oito batalhões da Guarda Nacional. O sucesso foi imediato.
Em pouco tempo, por intermédio de viajantes e mascates, a música chegou à Provença, no sudeste da França, e teve seu verdadeiro impulso: foi interpretada em 22 de junho pelo general François Mireur na cerimônia de recepção dos federados de Montpellier, em Marselha, e publicada pela imprensa da cidade com o título de #Canto de guerra dos exércitos nas fronteiras#. Um mês depois, a canção chegava a Paris com os soldados federados marselheses, que a cantaram durante todo o trajeto. Desde então, passou a ser associada a essa cidade do sul da França. No dia 4 de agosto o jornal La Chronique de Paris evocou o canto dos marselheses, e seis dias depois ele seria entoado durante a famosa tomada do Palácio das Tulherias.

Em 20 de setembro de 1792, o exército revolucionário, comandado pelo general Dumouriez, venceu a Batalha de Valmy, travada contra a nobreza francesa e seus aliados austríacos e prussianos, que tentavam derrubar o regime instaurado em 1789. Na ocasião, Servan de Gerbey, ministro da Guerra da França, escreveu ao general vitorioso: “O hino conhecido pelo nome de La Marseillaise é o Te Deum da República”. A partir de então, a canção passou a ser executada em todas as grandes comemorações cívicas.

Em 1793, a Convenção ordenou que o canto fosse entoado em todos os espetáculos da República. Em 1795, um decreto consagrou a “Marselhesa” como hino nacional da França. A República impôs definitivamente à obra de Rouget de Lisle um nome que não era o seu, embora o autor nunca deixasse de chamá-la pelo título original.

Embora muito discutida pelos eruditos do século XIX, a autoria da obra não foi questionada durante a Revolução: a própria Assembleia Nacional deu dois violoncelos a Rouget de Lisle em recompensa pelos serviços prestados. Fosse qual fosse a paternidade real da canção mais conhecida da França.

por Antoine Roullet